sábado, 19 de fevereiro de 2011

Quimera

Sempre teme-se a espera
pois é indicadora precípua da solidão.
como sentença irrevogável que em si encerra,
insuportável tortura ao coração.

Ai daquele que se desespera
pois a fraqueza é pior do que a ilusão.
E não há nenhum homem nesta esfera,
que não vá aprender essa lição.

Se de tudo, nada, ninguém coopera,
porque é que a alma obtempera,
ao invés de ouvir à razão?

Tolo é quem julga dominar uma fera,
somente estralando os dedos, numa austera,
e perigosa auto-comiseração.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

As obrigações sacráticas do amor.

Já dizia um velho monge: casar não é tão bom quanto estar solteiro, mas é mais seguro! Temo por ele não ter tido a oportunidade de viver um casamento.
Ser você e de repente não ser só mais você, ser também outro. Ganhar mais preocupações, dividir problemas, adivinhar desejos, talvez isso seja amar...
Na verdade, o ama, pode ser qualquer coisa que nós queríamos que ele se tornasse. Posso amor mais minha torradeira do que a qualquer pessoa... posso decidir onde e quando coloca-lo; posso amar o meu amor ou posso esquecer como é amar passar a odiá-lo; e posso simplesmente não amar.
É no entremeio de nossas escolhas reside a nossa felicidade. Amar pode não ser uma escolha, mas cultivar pode ser a melhor delas... cultivemos o amor, dividindo-o em vários pedaços, para que possamos alimenta-lo e vê-lo crescer cada um com seu cada qual.
Algum dia, precisaremos amar com paciência, noutro, com desprendimento; cultivar vários tipos de amor é ser sábio, num mundo sem sentimento...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pode o poeta (a)guardar no peito,
por apenas um instante, perante a eternidade.
A ânsia de ser feliz, logo após ter encontrado,
a tão aguardada felicidade?

Será justo não ter por perto o tal sujeito,
da oração cheia de divindade,
que abranda e acalma esse meu jeito,
de querer no agora matar a saudade...

Só haverá justiça se o meu senso,
de julgar um crescente sentimento,
puder ser totalmente imparcial?

Ou devo dar às favas o argumento,
de que é realmente um contra-senso,
me entregar, antes de ter por total...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tua voz cala a minha inspiração,
e neste silêncio ouço até teu pensamento...
Vais dizer que isto não é a perfeita definição,
do que se espera de um sentimento?

Espero tanto pela tua respiração,
aqui ao meu lado... já não aguento..
Aguardar-te, ainda mais nesta falsa moderação,
que nunca esteve no meu planejamento...

Quero-te... és mais do que um intento,
dou minha vida pelo teu alento,
só não duvides de como é grande o meu querer...

Aguarda-me, só por mais um momento,
não te sintas abandonado, ao relento,
estarei contigo, logo mais no alvorecer...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Carnem Levare

 O
O deleite da espera é impensado,
sendo que não deixa de surpreender.
E mesmo para quem aguarda o inesperado,
à ânsia não deve prescrever...

Um suspiro ao vento é tão deliberado,
feito o desespero de se viver.
Ou é apenas um desejo mal sonhado,
de quem ganha em se perder?

A tolice aconselha à imprudência,
elimina do ser a sapiência,
e desnorteia o seu dever.

Pois no instante em que se perde a paciência,
o aguardar não é mais simples carência,
é quase um inevitável sofrer.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tua voz cala a minha inspiração,
e neste silêncio ouço até teu pensamento...
Vais dizer que isto não é a perfeita definição,
do que se espera de um sentimento?

Espero tanto pela tua respiração,
aqui ao meu lado... já não aguento..
Aguardar-te, ainda mais nesta falsa moderação,
que nunca esteve no meu planejamento...

Quero-te... és mais do que um intento,
dou minha vida pelo teu alento,
só não duvides de como é grande o meu querer...

Aguarda-me, só por mais um momento,
não te sintas abandonado, ao relento,
estarei contigo, logo mais no alvorecer...
No limiar do amor, há amizade
inócua em suas considerações...
Que carrega para si com bondade,
todas as mundanas apreensões
.

Conduz o homem a liberdade,
justamente por ouvir suas aspirações.
Transformando o certo em verdade,
e o incerto em digressões
.

Traz um fim à desigualdade,
extingue do peito a vã saudade,
e dá guarida aos corações
.

É enfim, a dona da humildade,
que une as almas sem a vaidade,
mas com
as mais singelas emoções...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Se as disposições cotidianas conduzem ao tédio,
o que fará a alma, senão na aventura, buscar um santo remédio?

Alguns dizem que experimentar é sacrilégio,
que o amor é coisa pura,
feito um manto régio.

A guisa de um embate, eu não me oponho,
a qualquer opinião contrária ou aviltante,
da qual eu nem mesmo disponho.

Digredir sobre o amor as vezes é tão enfadonho,
que apenas ouvir se torna interessante,
no auxílio ao aprendizado que proponho...

Contemplar não significa, amiúde, usufruir,
pois o toque dos seus lábios nos meus,
é só, e exatamente o que preciso sentir...

E se as palavras sintetizam um pensamento a fluir,
o que fará esse peito meu,
quando o sonho deixar de existir?